Encontro Nacional

Encontro Nacional

segunda-feira, 7 de março de 2016

Marca registrada

Toda organização quando nasce tem um nome de registro, quando o empresário vai ao cartório de registra sua organização dá a ela um nome e todo documento passa a levar aquele registro. Este registro é muito parecido com o feito quando nasce uma criança, você pega o documento de nascimento do hospital leva ao cartório e ali sacramenta a graça da criança. Mas uma organização tem um nome chamado de nome fantasia que também é conhecido como fachada ou marca empresarial. O nome jurídico de uma organização em alguns casos coincide com o nome fantasia, mas em muitos casos não. Passando da organização para o seu líder, quero fazer uma comparação, bem simples, mas muito importante.
Quando você pensa numa organização normalmente pensa no seu nome fantasia, ou seja, a marca registrada que é divulgada em rádio, televisão e jornal. De forma que em alguns casos só a marca da organização vale mais que todo o seu patrimônio, seria o caso Apple que em 2015 teve sua marca valorada em 128,303 bilhões de dólares. No interior destas organizações existem diversas lideranças, mas dentre todas há um ou alguns que se destacam, por serem eles as figuras ligadas ao nome da organização. Algumas destas lideranças são reconhecidas antes mesmo das organizações, mas qual seria a importância disto? Estas organizações têm diversos líderes tão competentes quanto a figura caricata divulgada nos meios de comunicação. O que faz com que estes líderes tenham sua marca registrada?
Existem alguns palpites que podem orientar a reflexão, o nome fantasia de uma organização vale tanto quanto inspira nos consumidores, seja de qual classe social for, a necessidade de ter seus produtos. Alguns dizem que o nome fantasia precisa ser simples, algo fácil de ser lembrado, para que o consumidor não tenha dificuldade de pedir na hora de comprar. Isso nem sempre acontece, algumas tem o nome fantasia bem complicados, por isso é apenas recomendado. O nome fantasia ou marca pode estar transmitindo ao consumidor a ideia de confiança, economia, facilidade, agilidade, criatividade, inovação, etc.. O consumidor identifica na marca algo que lhe atrai e sua quase que necessidade de ter o produto gera tal demanda que o produto passa a ter valor a ele que pagará, em alguns casos, bem mais caro por ele.
Um líder, podem ser citados alguns grandes nomes como Steve Jobs da Apple, Bill Gates da Microsoft, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira da AB Inbev, Silvio Santos do SBT. Em cima de cada um destes nomes existe uma marca, não pela organização que construíram ou conduziram, mas pelo nome fantasia que criaram para si mesmos. Alguns criaram o líder fantasia ou marca registrada quase que naturalmente, foram aos poucos tomando atitudes que os tornaram referências em seu meio de atuação. Outros investiram muito tempo e dinheiro para se tornarem o líder fantasia que desejavam ser, nem por isso conseguiram.
O executivo que criou uma organização e se tornou ao longo dos anos o líder fantasia cumpre o papel de arregimentar as pessoas em torno de si pelo simples fato de estar na organização. Assim como o consumidor se junta a outros consumidores pelo desejo que tem em ter o que esta ou aquela marca oferece, os colaboradores da organização também se juntam em torno do líder fantasia pelo que ele as oferece. Quando uma organização perde o seu líder, perde em muitos casos a razão de existir e aos poucos definha até ser comprada ou falir. O líder fantasia cria no liderado, mesmo que sem saber, a necessidade de sua presença e orientação. Se os colaboradores não tem em sua organização um líder que inspire esta vontade, provavelmente não existe um líder fantasia competente para tanto. Nestes casos há uma grande chance de se perder importantes colaboradores para uma organização que tenha um líder forte, com marca registrada.

Rosemiro A. Sefstrom



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Isso é assim para mim!

Um dos diversos estudos da filosofia se chama de fenomenologia, um nome comprido e complicado, mas de entendimento bastante simples. A fenomenologia nasceu pelas mãos de Edmund Husserl, um dos mais influentes filósofos do início do século XX. Vindo do grego phainesthai, significa aquilo que se apresenta ou se mostra; unida à palavra também grega logos, neste caso significando explicação, estudo. Unindo as duas palavras temos o estudo dos fenômenos, ou seja, o estudo daquilo que se apresenta, se mostra. Desde a sua origem, a grande preocupação da fenomenologia é mostrar as coisas como elas são tanto quanto possível. Traduzindo de outra forma pode se dizer que a fenomenologia buscar ver as cosias como elas são para a pessoa, considerando-se que cada um apresenta maneiras diferentes de entender uma mesma informação.
Assim, se você levantar os olhos nesse momento e olhar tudo que está a seu redor vai perceber muitos fenômenos, pois muitas informações se apresentam aos seus sentidos e são transformadas em consciência. Mas, se você pedir que a pessoa sentada a seu lado faça o mesmo movimento de levantar os olhos e descrever o que ela vê, provavelmente fará um relato diferente do seu. Não que o que estava ao redor mudou, ou seja, ficou diferente, mas os conteúdos dos sentidos tornados consciência foram diferentes. Para você, por exemplo, a descrição pode ter como base elementos visuais, para a pessoa que está a seu lado a descrição pode ter como base dados olfativos. E, mesmo que tenham o dado visual como base, cada um pode e provavelmente vai perceber coisas diferentes. Isso não é bom nem mau, nem certo ou errado, mas a forma como cada um percebe o mundo que o rodeia.
Se isso for compreendido é possível entender que, quando seu filho fala que a cidade onde ele mora é suja, não tem o que fazer, é um lugar de pessoas mais velhas, é assim para ele. Seu filho não está dizendo que a cidade que você vê, uma cidade limpa, cheia de opções e muita gente nova, está errada. Ele apenas está apontando o que se apresenta às suas vistas, fenomenologicamente. A representação que cada um montou a respeito da cidade é diferente em função de diversas coisas, uma delas pode ser a idade,  visto que cada um freqüenta lugares diferentes da cidade e tem diferentes gostos por diversão.
Ignorar que cada pessoa tem um ponto de vista subjetivo da realidade que o cerca é desconsiderar a existência do outro. Quando isto acontece, vemos coisas grotescas, como dizer que uma pessoa é triste porque não teve pai e nem mãe. É como dizer que um menino ou menina é o que é por causa de sua condição social na infância. Não sabemos como a outra pessoa representa o que viveu, para muitos foi exatamente um passado difícil que fez deles pessoas maravilhosas. O ideal seria você perceber que o mundo só é como você o vê para si mesmo.


Rosemiro A. Sefstrom 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Filosofia Clínica Organizacional vem ganhando corpo rapidamente. Nos últimos dois anos foi premiada pela ABRH Santa Catarina por projetos desenvolvidos no ambiente organizacional. Agora começa a aparecer como um recurso de apoio à alta gestão, Marcelo Gomes da Alvarez & Marsal cita em reportagem o uso de Filosofia Clínica para aguentar a pressão do ambiente organizacional.


POR GLAUCE CAVALCANTI
24/01/2016 6:00 / atualizado 24/01/2016 6:00

RIO - A recessão econômica freou o Brasil, mas deu a largada a uma corrida na área corporativa, com companhias em apuros financeiros pedindo ajuda para reorganizar seus negócios. É aí que entram em cena os chamados especialistas em reestruturações operacionais e financeiras de empresas. Na contramão da crise, fazem hora extra, ampliam a equipe e recusam clientes.
·         2015: 1.287 pedidos de recuperação judicial
·         Dieta Forçada
·         'Mercado pouco maduro'
·         Especialistas: revisão da Lei de Recuperação
·         Segunda reestruturação

2015: 1.287 pedidos de recuperação judicial
Os recuperadores, profissionais especializados em assumir a gestão de empresas em crise, precisam fazer ajustes rápidos, atuando sob pressão como médicos de um CTI para botar as finanças da corporação de volta nos trilhos. Hoje, eles são poucos para dar conta da explosão da demanda por seus serviços. Em 2015, houve 1.287 pedidos de recuperação judicial no país, salto de 55,4% em relação ao ano anterior, segundo dados da Serasa.
No currículo dos principais nomes deste mercado, casos de sucesso dividem espaço com os de companhias que saíram de cena mesmo depois da recuperação judicial. A trajetória desses profissionais costuma ser um zigue-zague entre erros e acertos.

MEDITAÇÃO E IOGA COMO ROTINA
Um dos especialistas na área é Ricardo Knoepfelmacher. Com sobrenome quase impronunciável, é conhecido no mercado como Ricardo K. À frente da RK Partners, acaba de desembarcar na Bombril, depois de acumular passagens pela petroleira OGX, de Eike Batista, pelos estaleiros Atlântico Sul e Enseada, e por Galvão Engenharia e UTC, enquadradas na Lava-Jato.
Experiências diversas também pavimentaram o caminho do advogado Fábio Carvalho, que se tornou presidente da Casa & Video, após ter cuidado da recuperação judicial da varejista — que superou um escândalo de fraude e sonegação fiscal —, além de ter participado dos processos de Varig e LG Philips. Parte de sua formação vem do tempo em que atuou sob a supervisão de Marcelo Gomes, diretor da Alvarez & Marsal no Brasil, gigante mundial do setor, que hoje cuida de casos como os de OAS e Alumini.
— Infelizmente, não podemos atender a todos que nos procuram e, atualmente, com o crescimento de nossa equipe, estamos trabalhando para oito clientes, o dobro de um ano atrás — conta Ricardo K.
A crise agravou a situação de muitas empresas. Mas, quando o assunto é gestão corporativa, especialistas recomendam assertividade e olho atento à geração de caixa. Perder o foco pode custar caro. Gomes relembra que, na primeira reunião que a consultoria convocou com a diretoria da Varig, na década passada, solicitou que cada um dos 13 diretores mostrasse onde podia melhorar a operação e cortar custos. Um deles levantou a mão e justificou a perda de clientes na ponte aérea com a piora do serviço de catering. A solução para a crise passaria pela volta do hambúrguer de picanha ao cardápio.
— A companhia estava quebrando, e um diretor estava focado na qualidade da comida à bordo! — comenta.
Não basta ter foco, analistas alertam que é preciso tomar decisões na hora certa. E, se preciso, reestruturar a companhia antes de pedir proteção judicial:
— Esse é um dos erros das empresas em crise financeira: buscam assessoria quando a situação já está muito crítica. O ideal seria que contratassem bem antes de iniciar o processo de não pagamento das dívidas. Quanto mais cedo, mais tempo há para planejar e iniciar a negociação de forma mais harmoniosa e menos litigiosa — destaca K.

Dieta Forçada
A recuperação funciona como uma espécie de dieta forçada. Uma pessoa que está acima do peso e já tentou diversas estratégias para emagrecer, por fim, recorre a um especialista. Junto a esse profissional, desenha um plano — que exige sacrifícios e disciplina — para alcançar uma meta definida: perder “X” quilos e reencontrar o equilíbrio com a balança. Se chega a esse objetivo, o regime foi bem-sucedido.
— Entre 30% e 35% das empresas que pedem recuperação no país concluem o processo. Equilibram compromissos e geração de caixa e tocam o negócio adiante. Isso não as livra de, mais adiante, enfrentarem novos problemas — explica Luís Alberto Paiva, sócio-diretor da Corporate Consulting, que hoje atende a 15 empresas, como Latina e Pioneira da Costa.
Lidar com o estresse envolvido numa recuperação não é tarefa para iniciantes. Manter a calma é essencial. Gomes, por exemplo, pratica meditação, além de filosofia clínica. E mantém o hábito de escrever sobre os casos que acompanha. No futuro, não descarta lançar um livro sobre a Varig, por exemplo. Até lá, está mergulhado em trabalho:
— Em 2014, tivemos 35% mais clientes. No ano passado, dobramos a carteira. Este ano, prevemos avanço de 50% porque precisamos respeitar nossa capacidade. Em paralelo, nossa taxa de rejeição de clientes subiu de 10%, em 2014, para 50%, agora. Boa parte das recusas ocorre por falta de condições de recuperação de empresas que nos procuram.
Carvalho, que também é adepto de técnicas como a ioga para compensar a rotina estressante, recomenda evitar ao máximo a proteção da Justiça:
— Recuperação judicial é só dor. Raramente é a melhor alternativa. Mas, às vezes, é a única. Torna a negociação mais lenta, traz custos, compartilha a condução da empresa com a máquina estatal. Tudo fica difícil.
Carvalho trilhou um caminho peculiar. Depois de assumir a recuperação da Casa&Video, em 2009, acabou fazendo um aporte financeiro na varejista, recuperou e assumiu o negócio.
Agora, ele está cruzando sua segunda fronteira profissional. Após passar de recuperador a executivo, atua como investidor. Comprou a fatia do BTG na Bravante, de apoio marítimo ao setor de óleo e gás. Levou 38% de participação e a cadeira de presidente do conselho, num negócio de R$ 60 milhões. O passo é consequência da criação da Legion Holdings, focada em investir em empresas que passam por reestruturação, preferencialmente sem recuperação judicial.
— Vejo mais oportunidade no lado do ativo do que da dívida dessas companhias, como miram alguns fundos. Com isso, não preciso deter o controle, mas ter capacidade de influenciar o processo de tomada de decisão da empresa. Ter participação na gestão para ajudar na virada operacional — conta ele.
No mercado, é dada como certa a entrada de Carvalho — como investidor — na Leader, que sofre com uma dívida de quase R$ 1 bilhão e com a decisão do BTG de reduzir ou zerar sua participação de 70% na varejista fluminense. Ele reconhece participar de conversas sobre a empresa.
Para ele, a crise nas companhias brasileiras tem fundamento econômico, pelo impacto na geração de caixa. A solução, diz Carvalho, não virá do governo nem da massa de consumo da classe C, mas da rearrumação da equação entre compromissos e operações das empresas e acordos com instituições financeiras:
— A recuperação judicial não vai salvar o setor corporativo brasileiro. E, sim, a negociação entre as empresas e os bancos. Os bancos, hoje, têm capacidade financeira para chegar a acordos que consigam dar fôlego ao setor produtivo. Todos têm de ceder.


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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Autogenia – Resumo IV

Para ser didático, você está lendo o quarto resumo sobre autogenia. Até o momento já foram definidas as autogenias, tanto tópico quanto Submodo. Além disso, também foram apresentados os modos pelos quais o filósofo define o patamar autogênico da pessoa. Outro assunto que foi abordado, mas de forma indireta, é o fato de que muitos assuntos que são trabalhados em clínica não são de cunho autogênico. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que Autogenia, enquanto Submodo, é recomendado apenas em alguns casos e não em todos os casos clínicos. Por isso, uma recomendação séria, é que o filósofo observe se há a necessidade de qualquer interferência desta natureza.
Ao longo das aulas, pela maneira como a Autogenia foi apresentada, fica a impressão de que a mudança de patamar é boa e até mesmo recomendada. Principalmente pela dificuldade linguista em se caracterizar o que seria modificação autogência, geralmente apresentando movimentos menos mecânicos como bons e mais mecânicos como ruins. No entanto, cada pessoa tem um patamar que lhe é adequado, não bom e nem ruim, mas adequado à sua Estrutura de Pensamento. Em alguns casos, fora trabalho clínico, é possível que algumas pessoas mudem de patamar para melhorar qualitativamente sua existência. Sim, é possível, mas mesmo este movimento de chamada “melhora” será de acordo com a própria estrutura e não de acordo com a vontade da pessoa. Nem sempre movimentos volitivos são saudáveis, usando um jargão: “Cuidado com o que desejas”. Por isso são recomendadas intervenções via Autogenia somente de acordo com a necessidade do trabalho clínico.
Outro fator que pode causar alguma confusão no estudo das autogenias é o Exame das Categorias. Ao estudar as autogenias, o filósofo aprende nos Cadernos de Filosofia Clínica, assim como com os autores que escreveram sobre o assunto, como Nunes; Pedrosa (2000), que Autogenia “é o que dará ao clínico, em interseção, a oportunidade de entender o relacionamento funcional do que ocorre à EP da pessoa”. Fica claro que o que o filósofo estuda no que diz respeito à Autogenia é o funcionamento interno dos conteúdos agendados ao longo da vida. Então, de que servem os Exames das Categorias? As categorias: Assunto, Circunstâncias, Tempo, Lugar e Relação são guias históricos, um Plano Cartesiano Existencial no qual a pessoa se localiza diante de tudo o que já viveu. As circunstâncias, o tempo, o lugar, a relação e os assuntos mostram ao longo de sua história de onde ela saiu e para onde se direciona. É possível perceber que ao mesmo tempo em que o Exame das Categorias não tem interferência na elaboração autogênica é ele quem diz onde a pessoa está e o quanto se movimentou ao longo de sua história.
Seguindo ainda com questões pontuais, outro tema que algumas vezes gera confusão é a intencionalidade. De acordo com as aulas, o que faz com que algo seja este algo uma ideia, uma sensação, um conceito, enfim, qualquer elemento, será tanto ou mais vizinho quanto tiver intencionalidade sobre ele. Isso causa confusão porque algumas pessoas entendem que nem tudo o que é vizinho foi escolhido intencionalmente, pois acidentes, infortúnios acontecem e é possível que tenha como vizinho um pneu furado, um aumento na conta de telefone, uma discussão com a esposa, enfim, vizinhos que não são escolhidos, mas que se apresentam por si só. Pode sim acontecer coisas ao longo da vida sobre as quais não se tem controle, mas a atenção que se dedica sobre estas coisas sim. Ou seja, pode sim um pneu furar, mas quanto de intencionalidade será dedicada a isso é por conta de cada um. Mas o exemplo é com um pneu furado, existem cosias mais sérias e estas não se têm como controlar a intencionalidade, isso é o que dirão algumas pessoas. É até possível concordar, assim como também se pode concordar que ao longo da vida a intencionalidade não foi educada a focar de acordo com a “vontade”, mas deixada por conta própria. Por isso, um aluno se coloca diante de um livro para estudar e sua intencionalidade está na menina que conheceu pela manhã nos corredores da escola. Ela, naquele momento, é muito mais vizinha dele do que o livro e tudo o que precisa estudar.
Outro elemento que está profundamente ligado às autogenias, mas usualmente esquecido, é o fato de que vizinhos de naturezas diferentes (patamares diferentes) podem até entrar em contato, mas não compõem entre si. Um exemplo simples são a água e o óleo, são vizinhos de naturezas diferentes, tanto são que podem até entrar em contato, mas não conseguem se misturar, ou seja, compor. Amor e ódio, por exemplo, são vizinhos de mesma natureza, eles não só entram em contato como compõem entre si. É por isso que é possível amar e odiar a um só tempo. Ao observar os vizinhos, uma pessoa pode apontar vizinhos diferentes, mas provavelmente não conseguirá apontar vizinhos de naturezas diferentes que compõem entre si. Existem casos em que a pessoa segmenta sua vida e nestes casos consegue ter vizinhos de naturezas diferentes, mas os vizinhos de uma parte de sua vida não entram em contato com os vizinhos da outra.
Para findar questões pontuais a respeito das autogenias, um tema fundamental é a base autogênica. Quando se fala em identificação de patamar autogênico, o filósofo está identificando a base a partir da qual irá trabalhar, perceberá os movimentos que foram feitos pela estrutura ao longo da sua história a partir do exame das categorias. A base sobre a qual a Estrutura de Pensamento se apoia é a base autogênica. Esta base pode ser formada por diversos elementos que serão observados na historicidade da pessoa. Principalmente nos elementos ligados ao tópico ou tópicos com força autogênica. Em muitos casos uma pessoa quer fazer movimentos autogênicos, mas não tem o horizonte de sua base atual e a base que lhe seria adequada pela conformação de sua estrutura. Sem clareza de sua base autogênica qualquer movimento pode ser problemático, pois menor ou maior mecanicidade ou movimento horizontal da estrutura devem ser vistos a partir da base atual e dos movimentos que a EP já fez. Desta forma, sempre, absolutamente sempre, é preciso ter clareza da base e somente depois disso recomendar qualquer tipo de movimento autogênico.

Rosemiro A. Sefstrom

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Pelo segundo ano consecutivo a Tiscoski Distribuidora figura entre as premiadas a nível estadual pelas boas práticas em RH. O projeto premiado foi: Filosofia Clínica: Uma organização no divã

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Autogenia – Resumo III

Este texto é a continuação do resumo anterior, onde foram apresentados de maneira resumida e objetiva os conceitos de Autogenia e os modos de identificação via linguagem e vizinhança. Neste resumo veremos a identificação de patamar via mecanicidade, a resolução do caso do profissional que se casou e se tornou pai e também que nem toda questão existencial é necessariamente autogênica.
Apenas para lembrar, seguindo o mesmo exemplo do resumo II, nosso guia como é o caso de uma pessoa que ao longo de sua vida teve como direcionamento existencial a Busca (Tópico 11). Apenas como ilustração este tópico é o determinante para ele, fazendo com que até mesmo o casamento tenha sido uma maneira de ascender profissionalmente. No entanto, após um ano de casado nasceu o primeiro filho e junto com ele veio a proposta de promoção e mudança de cidade. Até o momento, apenas o tópico determinante (Busca) dava as ordens, mas com o nascimento do filho, a Interseção de EPs (Tópico 28) se mostra importante a ponto de confrontar sua Busca. Fica então evidente o choque entre os tópicos 11 e 28. No resumo anterior vimos como a pessoa se orientará para solucionar a questão de acordo com o patamar autogênico que vive. Neste resumo mostraremos como se dá o desenvolvimento de acordo com o patamar por mecanicidade.

03 - Identificação de patamar via mecanicidade

A identificação do patamar autogênico por mecanicidade é bastante simples, basta perceber a maneira como a pessoa conduz sua problemática na direção do Desfecho. Há na estrutura de pensamento tópicos específicos que são pela constituição mecânicos, um dos quais a Razão (Tópico 10). Sendo um tanto simplista pode-se dizer que uma pessoa será tanto mais mecânica quanto mais racional for na resolução do problema em questão. Outro tópico que indica mecanicidade no desenrolar das situações é Comportamento & Função (Tópico 13). Assim como no caso da razão para comportamento e função também, quanto mais baseada neste tópico a solução for, mas mecânica será. Existem ainda outros tópicos com relativa mecanicidade, mas estes dois já servem como exemplo.
No entanto é possível que uma pessoa não seja mecânica como tópico especificamente, mas como estrutura. Algumas estruturas, quando você observa uma parte dela, parece pouco mecânica, parece intuitiva, mas isso é apenas ilusão, ao olhar a estrutura como um todo a mecanicidade fica evidente. Pela palavra intuitiva é possível perceber que falo em sites e aplicativos, algumas estruturas são assim. Intuitivas nas partes, mas mecânicas no todo. É justamente por isso que dizer que uma estrutura é mecânica somente pelo uso da razão é bobagem, pois a razão é um dos indicadores da estrutura e não a estrutura como um todo.
Um parágrafo contradiz o outro? Não. A condução da solução de acordo com princípios racionais ou de comportamento e função não deixou de ser mecânica. O que muda do primeiro para o segundo parágrafo é a consideração da estrutura como um todo, se a solução vier de tópicos específicos pode dizer de sua mecanicidade pela base de onde ela vem. Agora, se a solução vier da estrutura, se os dados que encaminham a solução vierem do todo que é a Estrutura de Pensamento, é necessário considerar a mecanicidade da estrutura. Como o que nos interessa é a consideração a partir da Estrutura e não dos Tópicos, a mecanicidade depende exclusivamente da Estrutura.
Uma pessoa mais mecânica, ou seja, abaixo dos patamares de nossa época, setembro de 2015, na condução de uma solução, pensará em todos os passos necessários e o quanto de esforço é necessário para que tudo aconteça. Pensa no quanto de desgaste, na força, nos perigos, na logística, nos possíveis problemas que pode ter para que tudo dê certo. Em boa parte dos casos o cenário mostra que a força necessária para fazer tudo o que precisa ser feito torna o que tem que ser feito pouco interessante. Eu já ouvi em alguns casos: “Aí o molho sai mais caro que a carne”. É uma frase interessante, que mostra que tudo o que precisa ser feito torna o prato principal desinteressante. Geralmente são expressões que mostram falta de entendimento dos motivos de acontecer justamente naquele momento, pensando até ser azar. No caso de nosso exemplo, o profissional agora pai, a partir da proposta começará a arquitetar as possíveis soluções que tem e o que precisa ser feito para que cada uma delas dê certo. Ele pensa em como será se mudar com o filho para outra cidade e o que pode fazer para não afastar o filho dos avós. Pensa no custo que terá para manter isso, mas ao mesmo tempo que o custo vale a pena pela criança. Ele construirá esquemas resolutivos diversos contendo os prós e contra da proposta até chegar a uma conclusão. No entanto, os esquemas que elaborará serão de tal forma complexos e difíceis que se mostrarão demasiados pesados pelo retorno que darão. Por mais que pense em todos os meios para solucionar seu dilema, tem ainda a ideia consigo de que é conspiração do destino para que não consiga o que quer, azar, “coisa feita”.
Uma pessoa de nossa época, setembro de 2015, quando tiver um problema usualmente procurará entender como foi que ele ocorreu e a partir das prerrogativas do próprio problema tentará resolvê-lo. Um bom exemplo é o de pessoas que se atrapalham financeiramente e entendem que revendo seu orçamento, trabalhando mais, gastando menos irão resolver o seu problema, e de fato irão. Outro bom exemplo é do relacionamento que está ruim, cada um vê onde está errando e procura melhorar para que assim o relacionamento como um todo melhore. Pode-se dizer que entender as causas e a lógica do problema dê às pessoas a capacidade de resolvê-los. O nosso quase íntimo pai de família procurará ver como foi que surgiu a situação, verá o que tem que ser feito para resolver o seu problema, procurará na própria situação que vive a solução para ela. Pode-se dizer que, em nossa época, boa parte da mecanicidade está atrelada ao fato de que este pai buscará em sua situação a solução para ela.
Uma pessoa menos mecânica que os patamares de nossa época, quando tiver um problema, considerará o problema como algo que vai além do que vive no momento que está inserida e a partir de si própria enquanto história de vida. Assim pode ser considerado Gandhi, que ao liderar seu povo contra a Inglaterra fez algo simples, recomendou aos indianos voltarem a ser indianos. Como Jesus Cristo que ao ser perguntado sobre a moeda responde com simplicidade, mesmo a resposta parecendo um tanto mecânica ela não é resolvida a partir do problema, mas vai além dele. O caso de nosso personagem, o profissional que se tornou pai, ao ser menos mecânico ele começa a considerar sua vida como um todo e não apenas o momento que vive. Ao considerar a família, o filho, os avós, sua carreira e colocar a si mesmo enquanto história de vida pode fazer com que outros elementos, que até então estavam de fora, apareçam.


Solução para o caso exemplo

Independente do método utilizado para identificar o patamar autogênico é importante ter em conta se a questão a ser tratada é ou não de cunho autogênico. De acordo com a definição de Nunes; Pedrosa (2000) do Submodo Autogenia é “a organização orientada da EP, feita pelo filósofo clínico, via interseção, para que dê à pessoa um rumo mais recomendável”. Considerando a definição de Nunes; Pedrosa, para que uma questão possa ser considerada autogênica precisa ter como assunto último um trabalho que se dedique à organização ou reorganização da Estrutura de Pensamento da pessoa.
O caso que foi utilizado como exemplo que mostrou o choque entre a Razão (Tópico 10) e Interseção de EPs (Tópico 28) não tem como ser considerado um assunto de cunho autogênico. A questão, do modo como foi estruturada, apresenta um choque pontual entre dois tópicos e num acompanhamento filosófico clínico demandará encaminhamentos pontuais. Alguns, os mais dramáticos, perguntarão: “Mas isso não pode gerar um questão autogênica?” A resposta é simples: “Pode”. Mas aí teríamos uma condição diferenciada onde o choque entre dois tópicos produz efeitos capazes de tracionar toda a estrutura, o que é plenamente possível. Lembrando que para isso são necessárias condições ímpares, o que usualmente não acontece.
Como o problema de nosso profissional que se tornou pai não é autogênico, ele deverá ser resolvido no patamar que se encontrar. Se no caso ele se encontrar num patamar mais baixo que o patamar de nossa época, onde há amarrações linguísticas que indicam falta de saída, vizinhanças pesadas que mostram um caminho de difícil solução e mecanicidade que aponta o azar, falta de sorte e que será necessário muito esforço para que dê certo, é possível que ele opte por não aceitar a promoção. Ele pode ter utilizado como Submodo Esquema Resolutivo (Sub. 05) e o fim da equação mostrar que “não vale a pena” ser promovido. Neste caso, a Interseção de EP venceu e a Busca perdeu. É possível que ele veja no filho a frustração profissional, quase como a personificação de busca interrompida.
Num patamar como o de nossos dias, o nosso personagem provavelmente utilizaria também como Submodo o Esquema Resolutivo (Sub. 05), levantaria os prós e contras da proposta e tentaria, ao máximo, compor uma solução que lhe pudesse dar as duas coisas. Ao examinar a situação, perceber a possibilidade dos avós também irem para a cidade onde seria alocado, percebe então que é possível viver sua Busca. Mesmo que as condições sejam complicadas e que exija dele certo esforço para fazer dar certo, arrumar lugar para morar, a logística de levar os avós da criança, a adaptação da mulher e a sua na nova cidade. Neste caso, dos diversos possíveis, a Busca se sobressaiu conseguindo também manter as interseções.
Já num patamar mais elevado o profissional percebe que, no contexto que vive, a promoção que lhe foi dada veio em boa hora, pois ele gosta de dirigir e a cidade que fica a 150 km de distância pode ser um bom passeio diário. Assim, a interseção é mantida e a busca também ganha vazão, a conciliação faz com que Busca e Interseção sejam mantidas tal e qual estavam. Pode ser esquisito, mas o menos mecânico tende a observar de fora da caixa e pode perceber ainda outras formas de encaminhar a situação.
Em cada uma das soluções o resultado final pode ser diferente tanto pelo tópico que é atendido, tanto pelo Submodo que é utilizado para encaminhar a situação. O exemplo é apenas uma ilustração de que um caso não autogênico deve ser resolvido no patamar que está de acordo com os submodos que a historicidade da pessoa sugere.

Rosemiro A. Sefstrom